NET-A-PORTER Limited

Ana Isabel de Carvalho Pinto

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A entrevista abaixo faz parte do nosso Podcast Chats by Claur, apresentado por Clau Ribeiro Bernstein. Você pode ouvir essa conversa na íntegra pelo iTunes e Spotify

Dedicação & Amor

nowlink.it/shop2gether @aicarvalhopinto


Visionária – é a primeira palavra que vem a minha cabeça quando penso na Ana Isabel. No comecinho do ano 2000, ela e seu marido, foram além e desde de lá vinham alinhavando o que hoje nós não vivemos sem – a plataforma de ecommerce Shoptogether. E como eles não param de inovar, batemos um papo nesse chat para falar de empreendorismo, tecnologia e o um novo market place.


Clau Ribeiro: Como surgiu essa idéia de e-commerce online?
Ana Isabel: O meu marido investia em uma empresa e essa empresa começou a atender lojas como Americanas e Submarino. Então ele acompanhou o primeiro case de sucesso antes mesmo de entrar para o mundo digital e foi ai que ele decidiu investir no e-commerce. Ele tinha um fundo de investimento e recebeu uma proposta de um site de e-commerce de moda que era um clube de contas na época e então ele aceitou o negócio porque já imaginava que iria crescer e pensou em atuar em alguma parte do setor de e-commerce mas como ele não entendia de moda ele me convidou para gerenciar. Passado um mês eu concluir que aquilo era tudo menos moda, pra mim aquilo era um ofertão de promoções. Fiquei um ano estudando e me esforçando ao maxímo porque naquela época não tinha profissional de e-commerce no Brasil. Testamos tudo, fotos, modelos, conteúdo sobre o varejo de moda mas nada dava certo. Então decidimos começar do zero novamente mas com uma outra estrutura, pensamos como a gente iria oferecer para o mercado uma solução de venda de moda no mercado de luxo e foi assim que realmente estruturamos o shop2gether.

Clau Ribeiro: Qual é o seu background?
Eu sou formado em administração e tenho MBA em marketing, minha trajetória sempre foi no mercado de moda todos os meus empregos foram nesse setor porque quando eu comecei a trabalhar eu trabalhei com uma moça chamada Andréa Bilis que na época tinha uma marca e a gente chegou até a ter uma loja juntas no Shopping Iguatemi. Nessa loja eu fiquei muito no varejo atendendo ao consumidor e adiquiri muita experiência de varejo físico. Depois disso montei uma marca minha usando toda a experiência de produção que eu tinha tanto em desenvolvimento de produto quanto de atacado. Não tinha nada que eu não tinha feito até hoje, fiz modelagem, costuradas, planejamento estratégico, atendi o atacado, calendário de varejo, atendimento ao cliente final, criação de programa de relacionamento enfim, tudo isso enquanto fui estudando também. Por ter uma marca, uma empresa, me envolvi também na parte contábil e financeira como me formei em administração eu tinha uma visão bem ampla de negócio.

“Comecei em 2012 o Shop2gether com o meu marido e eu acho que realmente tive muita coragem e petulância. Na época não compravamos moda classe A pela a internet, não tinhamos esse hábito no Brasil não era uma coisa que já estava disseminada”

Ana

Clau Ribeiro: Você já teve o desafio de ter alguma marca que você precisou mudar a estrategia?
Ana Isabel: Sim, nós começamos com 17 marcas depois de quatro meses estavamos com 40 marcas e hoje tem mais de 250 marcas femininas. Eu participei sim por diversas vezes na escolha do produto mas onde eu tenho desenvolvido mais isso é no nosso projeto de novos designers, eu consegui ter a possibilidade de conversar realmente com um designer e dizer o que precisa ser alterado no produto para que ele fique com uma qualidade que gere o desejo de consumo porque muitos estilistas principalmente os mais novos eles têm uma percepção criativa linda mas existem muitos problemas que quando o produto chega no ponto de venda, ele não converte falta um apelo comercial as vezes é o preço ou até mesmo a cor. Então a visão comercial eu ofereço também e já tive algumas marcas que foram trabalhar com a gente que entrava e saia coleção e nada acontecia, precisamos ganhar dinheiro também para investir não adianta a gente ficar só na função criativa linda maravilhosa a economia precisa girar para empregar e para fazer novas coleções. Então a gente fez isso com alguns novos designers e foi muito bacana tivemos um resultado acima do esperado e realmente eles cresceram comercialmente e conseguiram se estruturar isso é um grande orgulho pra mim. A moda é um setor que precisa se profissionalizar cada vez mais porque é um setor grande que sofre muito tem muita informalidade então quanto mais a gente vê empresas se estruturando e profissionais amadurecendo mais felizes nós ficamos.

Clau Ribeiro: Como que funciona o processo para que uma marca faça parte do seu portfólio?
Hoje nós temos três marcas, temos o Shop2gether, O que vestir e a gente lançou o Marktplace. O Shop2gether está focado para o público A e B moda feminina e masculina já o que vestir é um site que tem uma moda mais jovem e mais divertida, uma moda mais fácil mas não é tão focada em lifestyle como o shop2gether. O Marktplace a gente criou para que as marcas possam ter contato direto o consumidor é muito mais focado em propósito multimarca do que em uma visão comercial de negócio. É uma plataforma colaborativa onde as marcas com um propósito conversam com os consumidores através de seus produtos. É um momento de comportamento de consumo comportamento e tendência de moda atual para a gente entender as diferenças entre as marcas. O shop2gether é mais exclusivo para mulher que busca por conforto e também por exclusividade com uma vida mais calma, já o que vestir a gente tem algumas outras marcas como por exemplo a Farm uma marca onde atinge basicamente o grande público então essa plataforma é mais comercial do que lifestyle. No Marktplace nós damos espaço para que marcas muito pequenas e independentes possam atingir o público final essa plataforma esta dentro do site shop2gether.

Clau Ribeiro: Existe a opção on demand para as marcas?
Ana Isabel: Existem algumas marcas que fabricam sob encomenda só que no digital as pessoas na maior parte das vezes querem a rapidez da entrega, difícil a pessoa ir pro digital e não ter contato com o vendedor. Essa maturidade de consumo digital ainda não existe aqui no Brasil mas hoje os pequenos produtores têm estoque que não é muito grande o que é bom porque se torna exclusivo para o cliente e quando você compra você sabe que vai retirar direto com eles.

Clau Ribeiro: Como que funciona o seu trabalho com a Costanza Pascolato?
Ela me ajuda na curadoria de novos designers assim como para a nossa seleção de novos designers para o projeto novos designs que é um processo de três fases primeiro as pessoas se inscrevem, depois em cima do que a gente acredita que a moda nos trouxe na última temporada trabalhamos em cima, e também trabalhamdos em cima do comportamento do consumo de moda. Antes mesmo de toda a pandemia do COVID-19 que está acontecendo quando a gente criou esse projeto a gente falou muito sobre uma moda atemporal uma moda que fizesse sentido para a sua necessidade e não para aquilo que está sendo tratado como tendência falamos também bastante do individual e do individualismo nas suas escolhas e por isso a gente escolheu os designers. Depois quando a gente fecha esse conceito com a Constanza nós começamos a filtrar as marcas que se encaixam nesse resultado. A Constanza atua nesse primeiro conceito com os designers e também com treinamentos de tendências de moda, nós trabalhamos juntas e dividimos para toda a equipe.

Clau Ribeiro: Qual foi uma das maiores lições que você já aprendeu da Constanza?
Ana Isabel: Eu não sei nem se é de moda mas acho que da vida de comportamento porque a Costanza é muito sincera assim como eu mas ela tem um jeito muito delicado de falar uma sinceridade muito delicada e elegante. Isso é uma das coisas que eu compartilho com ela porque eu sou bastante expansiva, algumas coisas acabam incomodando algumas pessoas é um tipo de aula de troca que eu tenho com ela. O que ela fala sempre funciona é mais do que eu consiga falar, penso em tudo que ela me fala então tudo que é mais serio que eu preciso resolver eu falo com ela mas não pra chegar na solução porque a Constanza nunca te da conselho ela faz você pensar e isso é maravilhoso.

Clau Ribeiro: Como é a sua rotina?
Ana Isabel: Ultimamente eu estou mudando um pouco os meus dias aliás, estava mudando porque agora com essa pandemia não estou mudando mais mas todo mundo agora está se adaptando porém inicialmente acordo, faço ginástica levo as crianças para a escola ou para o inglês, tenho duas filhas, e volto faço ginástica se eu não tiver feito ainda porque eu faço em casa. E esse ano de 2020 eu decidir trabalhar meio período em casa estou em uma linha diferente de mercado agora então eu tenho bastante evento pra ir bastante compromissos fora do escritório por isso sugeri a ficar até uma hora da tarde com as crianças almoço com elas e trabalho de casa, depois ou eu vou para o escritório ou para alguma reunião e dessa forma foi a forma que eu mais encontrei equilíbrio, afinal, foram sete anos de entrega total. E desde o começo desse ano eu me afastei da diretoria, agora faço parte só do conselho isso tem sido bastante regenerador em todos os sentidos. Quando a gente está muito ocupado a gente deixa de prestar atenção no novo, eu acho que foi um momento de eu voltar a prestar atenção em mim.

“Marca boa é a marca que está no corpo das pessoas a gente precisa ganhar dinheiro para reinvestir em uma próxima coleção”

Ana

Clau Ribeiro: O que você faz toda noite para desligar total?
Ana Isabel: Eu tomo vinho toda noite, no começo eu fiquei um pouco preocupada e fui até perguntar para o médico e ele me perguntou qual a quantidade que eu tomo, disse duas taças quando estou muito pilhada e a resposta foi que tudo bem essa quantidade não tem problema mas não posso passar disso.

Clau Ribeiro: O que você vê nos próximos cinco anos de mudança na indústria de e-commerces pelo mundo?
Ana Isabel: Acho que a inteligência artificial já antes de tudo isso estar acontecendo já tínhamos como grande aposta da indústria de tecnologia. O que eu vejo é que as grandes empresas que tiverem investimento em tecnologia que priorizem o individual de cada um serão as empresas que vão continuar porque o consumidor e o mundo estão se tornando cada vez mais individual no sentido de que o que é interessante pra mim não é pra você, as nossas prioridades são diferentes e as empresas vão precisar entender isso não existe um produto que possa atender todos da mesma forma. A personalização é uma coisa que é mais comum e isso lógico só inteligência artificial e o uso de dados pelas empresas que vão possibilitar esse tipo de personalização.

Clau Ribeiro: Qual é a peça de moda que alguém da sua familía tenha te dado que você queira guardar para sempre?
Ana Isabel: Pode ser uma joia? Eu tenho um par de brincos de ônix preto que foi da minha bisavó que me deu e representa muito pra mim, é uma joia antiga que não parece uma joia porque é de ônix tem umas pérolas antigas que no detalhe você ver o valor que ela tem mas se você olhar rapidamente não vai perceber.

Clau Ribeiro: Qual foi a melhor peça que você comprou em oferta?
Ana Isabel: Vou ter que pensar muito para poder responder porque eu não sou muito de ofertas mas eu adoro ficar naquelas lojas de departamento americano, fico horas olhando e experimentando e acabo não levando nada porque eu acho que nada vale a pena que o barato sai caro mas eu já comprei sapatos da marca Manolo Blahnik em outlet.

Clau Ribeiro: Quais são os dois restaurantes de New York que você adora comer?
Ana Isabel: Faz muito tempo que eu não viajo para New York então da próxima vez que eu for eu espero você me levar para algum.


Fotos: Cortesia Ana Isabel