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Mike Mammoli

Mike traz o famoso Mamo Le Michelangelo para Nova York e questiona: “Por que tentar fazer algo complexo quando já é difícil fazer um spaghetti pomodoro perfeitamente?”

Simple and Perfect

mamonyc @mamo_nyc

“É impossível recriar o mesmo exato prato quando você está em um lugar diferente. Os vegetais, a água, os laticínios, as frutas – tudo é diferente. Mas você pode chegar bem perto, e isso é o importante para mim. Para tanto, você precisa criar uma atmosfera ao redor do prato, para tentar recriar a sensação da viagem”

Perfeccionismo é um daqueles ingredientes que não se pode errar a dosagem: nem demais, nem de menos. Por sorte e competência, Mike Mammoliti soube trabalhar a medida certa durante anos, e agora repete a receita em Nova York, onde inaugurou uma filial do restaurante de seu pai, Mamo Le Michelangelo, em Antibes. Seu intuito inicial era desenvolver uma réplica perfeita do clássico francês, mas quando percebeu que não seria possível, encontrou não só seu caminho, mas a identidade do novo restaurante: “Decidi não me distrair muito, criar minha própria visão e acreditar em meus instintos”. No Mamo (a versão nova-iorquina perdeu o “Le Michelangelo”), nada além da própria comida parece ser um desafio para Mike: “Eu acredito em pratos simples, que deixem que os ingredientes falarem por si. Por que tentar fazer algo complexo, quando já é difícil fazer um spaghetti pomodoro perfeitamente?” E, embora haja quem diga que não se pode fazer uma verdadeira comida fora do seu país de origem, não há nada que o impeça de abrir uma cozinha italiana em Nova York: “É impossível recriar o mesmo exato prato quando você está em um lugar diferente. Os vegetais, a água, os laticínios, as frutas – tudo é diferente.

“A culinária da Grécia é algo realmente novo para mim, e é fantástica. Muito próxima da cozinha italiana e francesa, mas muito distinta ao mesmo tempo: os mesmos ingredientes, mas manipulados de outra forma. É uma delícia”

Mas você pode chegar bem perto, e isso é o importante para mim. Para tanto, você precisa criar uma atmosfera ao redor do prato, para tentar recriar a sensação da viagem”. E completa: “Nova York é muito competitiva. São mais de 10 mil restaurantes. Você precisa manter o padrão em altos níveis sempre para sobreviver”. Curiosamente, Mike até gosta do caráter de espetáculo que a gastronomia atual vem adquirindo: “É algo incrível para a nossa indústria. Isso traz entusiasmo para a comida. E você vê cada vez mais pessoas querendo aprender a comer, especialmente a nova geração”. Mas tanto na vida como na cozinha, Mike aposta no poder do fogo brando e diz que não se considera uma celebridade: “Meu foco são os meus clientes. Nada me dá mais alegria do que vê-los felizes. Sem isso, você é apenas um restaurante tentando sobreviver”, acredita. Na bagagem, Mike trouxe não apenas as referências do primeiro restaurante, mas da infância: “Era um paraíso. Viver com nada e tudo ao mesmo tempo. O sul da França tem muito a oferecer se você sabe onde procurar. Quanto mais eu viajo, mais eu vejo o quão sortudo sou de ter nascido e sido criado lá”. 

Se recusando a viver apenas no passado, o restaurateur se lança constantemente em novas aventuras gastronômicas. Sua última descoberta foi particularmente animadora: a comida grega. “A culinária da Grécia é algo realmente novo para mim, e é fantástica. Muito próxima da cozinha italiana e francesa, mas muito distinta ao mesmo tempo: os mesmos ingredientes, mas manipulados de outra forma. É uma delícia!” Seria a empolgação com novos sabores sinônimo de mais empreendimentos? “Existem alguns projetos em discussão, mas, por enquanto, nosso foco é o Mamo”, responde sem deixar sequer um gostinho do que está por vir.

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Fotos: Colin Hughes