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Sonia Blota

A entrevista abaixo faz parte do nosso Podcast Chats by Claur, apresentado por Clau Ribeiro Bernstein. Você pode ouvir essa conversa na íntegra pelo iTunes e Spotify

Sacrifícios Entregas & Zelo

@soniablota


São 22 anos só na Band. Ganhadora de 2 troféus imprensa, Sonia Blota é uma jornalista multifacetada. Com premiadas coberturas nos segmentos de política, economia, moda e lifestyle. Sonia passou 7 anos cobrindo também eventos mundiais baseada em Paris. Na entrevista abaixo ela fala sobre esta experiência e momentos marcantes de sua carreira.


Clau Ribeiro: Como começou a sua carreira?
Sonia: Sou formada em direito e em jornalismo. Estagiar em escritório de direito e contabilidade até entrar para a pimeira emissora de televisão que foi o SBT, entrei como estagiária onde fiquei por um ano. Eu sempre falo que o direito é uma faculdade que ninguém perde, muito pelo contrário, eu lido com situações que graças aos conhecimentos que absorvir da faculdade com os meus mestres eu consigo aplicar no jornalismo. Depois eu fui para EPTV Central em São Carlos no interior de São Paulo para aprender e me portar em um video porque na minha época não era só colocar a cara no vídeo como hoje em dia era muito mais difícil. Eu tive que ir aprender no interior de São Paulo que era mercado pequeno pra depois ir para São Paulo capital. Na época o padrão da Globo era muito difícil tinha várias regras, não podia usar estampas e nem óculos de grau porque refletia. Hoje com a tecnologia e os novos padrões a gente fica bem mais a vontade no video. Após a Globo entrei pra Band que foi o mesmo ano que o radio se separou da Televisão e começamos a fazer muito programas ao vivo porque a Televisão vai de acordo com o tempo que a gente esta vivendo então ela sempre se modifica. Agora tenho 22 anos de carreira só na Band.

Clau Ribeiro: Como foi entrar para o jornalismo com o seu background?
Sonia: Mais desafiador porque as pessoas cobram muito mais uma vez que você tem familiar no mesmo ramo mas eu sempre tive o apoio da minha família, inclusive dos meus avós. E pra mim nada foi diferente fui pra rua entrevistar como todos os outros.

Clau Ribeiro: Como foi o convite pra você mudar para Paris?
Sonia: Tudo acontece com um pico de tensão na TV. No jornalismo não existe o não escalonar porque o profissional tem plano de carreira ou algo parecido. O que me fez ir para Paris foi Brasília, o diretor executivo na época disse pra mim ir para Brasília porque estava estourando o escândalo do mensalão, e então essa uma semana que era inicialmente se transformou em 3 anos. E ficar em Brasília é muito sacrificante, tem que estar disponível 24 horas por dia todos os dias. Em 2011 eu voltei para São Paulo e no mesmo ano me mudei com quatro malas direto pra Paris e por lá fiquei por 7 anos.

“Depois da Globo entrei pra Band que foi o mesmo ano que o radio se separou da televisão e começamos a fazer bastante programas ao vivo. Porque a televisão vai de acordo com o tempo que nós estamos vivendo ela se modifica. Agora tenho vinte e dois anos de carreira só na Band”

Blota

Clau Ribeiro: Quais foram as maiores matérias que você produziu em Paris?
Sonia: As maiores matérias foram as entrevistas que eu fiz, a entrevista com Charles Aznavour foi uma lição de vida enorme e uma outra lição de vida enorme também foi entrevistar o Pierre Cardin um mestre da indústria da moda com 97 anos de idade e com uma cabeça incrível que ao me responder qual era o seu maior desejo ele disse que continuar trabalhando, continuar sendo empresário a frente de sua grife. Uma das grandes coisas que eu aprendi cobrindo matérias em Paris foi que a maior parte das pessoas vê Paris como a cidade do glamour mas os franceses são de uma simplicidade enorme, eles são muito mais ser do que ter. Uma pessoa vestindo paetê e uma outra vestindo calça jeans com camiseta podem frequentar o mesmo ambiente perfeitamente sem problema algum, a única coisa que eles fazem questão é que o nível intelectual de estudo seja o mesmo porque o estado oferece isso pra população mas não interessa se você tem dinheiro ou não.

Clau Ribeiro: Quais são os seus novos hobbies devido a quarentena?
Sonia: Assistir todos os filmes, séries e documentários da Netflix, também estou descansando bastante porque foram 10 anos sem tirar 30 dias de férias. E tenho muita insônia que é uma coisa que eu preciso corrigir então estou aproveitando pra isso.

Clau Ribeiro: Como funciona a parte das fontes em Paris?
Sonia: Nós temos a fonte do governo que é a assessoria de imprensa, temos os colegas e como correspondente internacional temos agência de notícias que no caso na europa é a Reuters que podíamos confiar com toda a certeza, eles tem repórters em todos os lugares.

“Quantas vezes a gente já quis chorar e não chorou e quantas vezes a gente precisava chorar e não conseguia”

Blota

Clau Ribeiro: Como é pra você a criação de cobertura?
Sonia: Tem que focar e ao mesmo tempo tem que estar com o radarzinho interno ligado registrando tudo ao seu redor. É um treinamento que ao longo dos anos a gente começa a controlar o nosso próprio comportamento porque não dá pra saber a reação das pessoas que estão ali no acontecimento e nem o que elas podem falar.

Clau Ribeiro: Como é cobrir histórias políticas?
Sonia: Todas as coberturas quando envolve o Palácio do Planalto mexem com o país e muitas vezes em eventos internacionais existe um contexto muito importante. Todas as mudanças no meio ambiente é com o presidente da república, economia relações exteriores então envolve todos os assuntos importantes para uma nação. Cientistas políticos também são fundamentas na cobertura política e eu como repórter não posso dar a minha opinião, eu concordando ou não eu tenho que noticiar.

Clau Ribeiro: Você estava em San Francisco com o Dória como foi isso?
Sonia: Esse foi mais um exemplo de como é a vida de um jornalista, tudo pode mudar a qualquer momento o slogan da Band FM é muito verdadeiro – Em 20 minutos tudo pode mudar – Estávamos em San Francisco entrevistando empresários da tecnologia e empresas que queriam investir no Brasil em São Paulo ver como que São Paulo iria entrar no mercado da tecnologia, cinema e entretenimento com empresas como a Netflix e a Amazon. Então eu estava produzindo essa matéria extremamente importante em um lugar distante e acompanhando o falecimento do Gugu Liberato que foi um dos apresentadores mais importantes do país, então no dia seguinte eu já estava retornando para cobrir esse triste episódio. A equipe de San Franciso entendeu perfeitamente porque eles sabiam a importância do Gugu e teve que ser eu porque o outro repórter da Band não podia cobrir por motivos administrativos.

Clau Ribeiro: Quais os restaurantes que você indica em Paris?
Sonia: Pra quem gosta de frutos do mar o Mediterranee, para café o Café Delmas que é ótimo para ter uma experiência local. Já para dançar tem o Cabaré Aux Trois Mailletz vai até 4 horas da manhã e eles amam música brasileira e do lado tem uma casinha de jazz muito bacana chamada Le Caveau de la Huchette.


Fotos: Cortesia Sonia Blota