Shop NET-A-PORTER Limited Shop fall/winter ’20

Ana Isabel de Carvalho Pinto

A entrevista abaixo faz parte do nosso Podcast Chats by Claur, apresentado por Clau Ribeiro Bernstein. Você pode ouvir essa conversa na íntegra pelo iTunes e Spotify

Dedicação & Amor

nowlink.it/shop2gether @aicarvalhopinto


Visionária – é a primeira palavra que vem a minha cabeça quando penso na Ana Isabel. No comecinho do ano 2000, ela e seu marido, foram além e desde de lá vinham alinhavando o que hoje nós não vivemos sem – a plataforma de ecommerce Shoptogether. E como eles não param de inovar, batemos um papo nesse chat para falar de empreendorismo, tecnologia e o um novo market place.


Clau Ribeiro: Como surgiu essa idéia de e-commerce online?
Ana Isabel: O meu marido investia em uma empresa e essa empresa começou a atender lojas como Americanas e Submarino. Então ele acompanhou o primeiro case de sucesso antes mesmo de entrar para o mundo digital e foi ai que ele decidiu investir no e-commerce. Ele tinha um fundo de investimento e recebeu uma proposta de um site de e-commerce de moda que era um clube de contas na época e então ele aceitou o negócio porque já imaginava que iria crescer e pensou em atuar em alguma parte do setor de e-commerce mas como ele não entendia de moda ele me convidou para gerenciar. Passado um mês eu concluir que aquilo era tudo menos moda, pra mim aquilo era um ofertão de promoções. Fiquei um ano estudando e me esforçando ao maxímo porque naquela época não tinha profissional de e-commerce no Brasil. Testamos tudo, fotos, modelos, conteúdo sobre o varejo de moda mas nada dava certo. Então decidimos começar do zero novamente mas com uma outra estrutura, pensamos como a gente iria oferecer para o mercado uma solução de venda de moda no mercado de luxo e foi assim que realmente estruturamos o shop2gether.

Clau Ribeiro: Qual é o seu background?
Eu sou formado em administração e tenho MBA em marketing, minha trajetória sempre foi no mercado de moda todos os meus empregos foram nesse setor porque quando eu comecei a trabalhar eu trabalhei com uma moça chamada Andréa Bilis que na época tinha uma marca e a gente chegou até a ter uma loja juntas no Shopping Iguatemi. Nessa loja eu fiquei muito no varejo atendendo ao consumidor e adiquiri muita experiência de varejo físico. Depois disso montei uma marca minha usando toda a experiência de produção que eu tinha tanto em desenvolvimento de produto quanto de atacado. Não tinha nada que eu não tinha feito até hoje, fiz modelagem, costuradas, planejamento estratégico, atendi o atacado, calendário de varejo, atendimento ao cliente final, criação de programa de relacionamento enfim, tudo isso enquanto fui estudando também. Por ter uma marca, uma empresa, me envolvi também na parte contábil e financeira como me formei em administração eu tinha uma visão bem ampla de negócio.

“Comecei em 2012 o Shop2gether com o meu marido e eu acho que realmente tive muita coragem e petulância. Na época não compravamos moda classe A pela a internet, não tinhamos esse hábito no Brasil não era uma coisa que já estava disseminada”

Ana

Clau Ribeiro: Você já teve o desafio de ter alguma marca que você precisou mudar a estrategia?
Ana Isabel: Sim, nós começamos com 17 marcas depois de quatro meses estavamos com 40 marcas e hoje tem mais de 250 marcas femininas. Eu participei sim por diversas vezes na escolha do produto mas onde eu tenho desenvolvido mais isso é no nosso projeto de novos designers, eu consegui ter a possibilidade de conversar realmente com um designer e dizer o que precisa ser alterado no produto para que ele fique com uma qualidade que gere o desejo de consumo porque muitos estilistas principalmente os mais novos eles têm uma percepção criativa linda mas existem muitos problemas que quando o produto chega no ponto de venda, ele não converte falta um apelo comercial as vezes é o preço ou até mesmo a cor. Então a visão comercial eu ofereço também e já tive algumas marcas que foram trabalhar com a gente que entrava e saia coleção e nada acontecia, precisamos ganhar dinheiro também para investir não adianta a gente ficar só na função criativa linda maravilhosa a economia precisa girar para empregar e para fazer novas coleções. Então a gente fez isso com alguns novos designers e foi muito bacana tivemos um resultado acima do esperado e realmente eles cresceram comercialmente e conseguiram se estruturar isso é um grande orgulho pra mim. A moda é um setor que precisa se profissionalizar cada vez mais porque é um setor grande que sofre muito tem muita informalidade então quanto mais a gente vê empresas se estruturando e profissionais amadurecendo mais felizes nós ficamos.

Clau Ribeiro: Como que funciona o processo para que uma marca faça parte do seu portfólio?
Hoje nós temos três marcas, temos o Shop2gether, O que vestir e a gente lançou o Marktplace. O Shop2gether está focado para o público A e B moda feminina e masculina já o que vestir é um site que tem uma moda mais jovem e mais divertida, uma moda mais fácil mas não é tão focada em lifestyle como o shop2gether. O Marktplace a gente criou para que as marcas possam ter contato direto o consumidor é muito mais focado em propósito multimarca do que em uma visão comercial de negócio. É uma plataforma colaborativa onde as marcas com um propósito conversam com os consumidores através de seus produtos. É um momento de comportamento de consumo comportamento e tendência de moda atual para a gente entender as diferenças entre as marcas. O shop2gether é mais exclusivo para mulher que busca por conforto e também por exclusividade com uma vida mais calma, já o que vestir a gente tem algumas outras marcas como por exemplo a Farm uma marca onde atinge basicamente o grande público então essa plataforma é mais comercial do que lifestyle. No Marktplace nós damos espaço para que marcas muito pequenas e independentes possam atingir o público final essa plataforma esta dentro do site shop2gether.

Clau Ribeiro: Existe a opção on demand para as marcas?
Ana Isabel: Existem algumas marcas que fabricam sob encomenda só que no digital as pessoas na maior parte das vezes querem a rapidez da entrega, difícil a pessoa ir pro digital e não ter contato com o vendedor. Essa maturidade de consumo digital ainda não existe aqui no Brasil mas hoje os pequenos produtores têm estoque que não é muito grande o que é bom porque se torna exclusivo para o cliente e quando você compra você sabe que vai retirar direto com eles.

Clau Ribeiro: Como que funciona o seu trabalho com a Costanza Pascolato?
Ela me ajuda na curadoria de novos designers assim como para a nossa seleção de novos designers para o projeto novos designs que é um processo de três fases primeiro as pessoas se inscrevem, depois em cima do que a gente acredita que a moda nos trouxe na última temporada trabalhamos em cima, e também trabalhamdos em cima do comportamento do consumo de moda. Antes mesmo de toda a pandemia do COVID-19 que está acontecendo quando a gente criou esse projeto a gente falou muito sobre uma moda atemporal uma moda que fizesse sentido para a sua necessidade e não para aquilo que está sendo tratado como tendência falamos também bastante do individual e do individualismo nas suas escolhas e por isso a gente escolheu os designers. Depois quando a gente fecha esse conceito com a Constanza nós começamos a filtrar as marcas que se encaixam nesse resultado. A Constanza atua nesse primeiro conceito com os designers e também com treinamentos de tendências de moda, nós trabalhamos juntas e dividimos para toda a equipe.

Clau Ribeiro: Qual foi uma das maiores lições que você já aprendeu da Constanza?
Ana Isabel: Eu não sei nem se é de moda mas acho que da vida de comportamento porque a Costanza é muito sincera assim como eu mas ela tem um jeito muito delicado de falar uma sinceridade muito delicada e elegante. Isso é uma das coisas que eu compartilho com ela porque eu sou bastante expansiva, algumas coisas acabam incomodando algumas pessoas é um tipo de aula de troca que eu tenho com ela. O que ela fala sempre funciona é mais do que eu consiga falar, penso em tudo que ela me fala então tudo que é mais serio que eu preciso resolver eu falo com ela mas não pra chegar na solução porque a Constanza nunca te da conselho ela faz você pensar e isso é maravilhoso.

Clau Ribeiro: Como é a sua rotina?
Ana Isabel: Ultimamente eu estou mudando um pouco os meus dias aliás, estava mudando porque agora com essa pandemia não estou mudando mais mas todo mundo agora está se adaptando porém inicialmente acordo, faço ginástica levo as crianças para a escola ou para o inglês, tenho duas filhas, e volto faço ginástica se eu não tiver feito ainda porque eu faço em casa. E esse ano de 2020 eu decidir trabalhar meio período em casa estou em uma linha diferente de mercado agora então eu tenho bastante evento pra ir bastante compromissos fora do escritório por isso sugeri a ficar até uma hora da tarde com as crianças almoço com elas e trabalho de casa, depois ou eu vou para o escritório ou para alguma reunião e dessa forma foi a forma que eu mais encontrei equilíbrio, afinal, foram sete anos de entrega total. E desde o começo desse ano eu me afastei da diretoria, agora faço parte só do conselho isso tem sido bastante regenerador em todos os sentidos. Quando a gente está muito ocupado a gente deixa de prestar atenção no novo, eu acho que foi um momento de eu voltar a prestar atenção em mim.

“Marca boa é a marca que está no corpo das pessoas a gente precisa ganhar dinheiro para reinvestir em uma próxima coleção”

Ana

Clau Ribeiro: O que você faz toda noite para desligar total?
Ana Isabel: Eu tomo vinho toda noite, no começo eu fiquei um pouco preocupada e fui até perguntar para o médico e ele me perguntou qual a quantidade que eu tomo, disse duas taças quando estou muito pilhada e a resposta foi que tudo bem essa quantidade não tem problema mas não posso passar disso.

Clau Ribeiro: O que você vê nos próximos cinco anos de mudança na indústria de e-commerces pelo mundo?
Ana Isabel: Acho que a inteligência artificial já antes de tudo isso estar acontecendo já tínhamos como grande aposta da indústria de tecnologia. O que eu vejo é que as grandes empresas que tiverem investimento em tecnologia que priorizem o individual de cada um serão as empresas que vão continuar porque o consumidor e o mundo estão se tornando cada vez mais individual no sentido de que o que é interessante pra mim não é pra você, as nossas prioridades são diferentes e as empresas vão precisar entender isso não existe um produto que possa atender todos da mesma forma. A personalização é uma coisa que é mais comum e isso lógico só inteligência artificial e o uso de dados pelas empresas que vão possibilitar esse tipo de personalização.

Clau Ribeiro: Qual é a peça de moda que alguém da sua familía tenha te dado que você queira guardar para sempre?
Ana Isabel: Pode ser uma joia? Eu tenho um par de brincos de ônix preto que foi da minha bisavó que me deu e representa muito pra mim, é uma joia antiga que não parece uma joia porque é de ônix tem umas pérolas antigas que no detalhe você ver o valor que ela tem mas se você olhar rapidamente não vai perceber.

Clau Ribeiro: Qual foi a melhor peça que você comprou em oferta?
Ana Isabel: Vou ter que pensar muito para poder responder porque eu não sou muito de ofertas mas eu adoro ficar naquelas lojas de departamento americano, fico horas olhando e experimentando e acabo não levando nada porque eu acho que nada vale a pena que o barato sai caro mas eu já comprei sapatos da marca Manolo Blahnik em outlet.

Clau Ribeiro: Quais são os dois restaurantes de New York que você adora comer?
Ana Isabel: Faz muito tempo que eu não viajo para New York então da próxima vez que eu for eu espero você me levar para algum.


Fotos: Cortesia Ana Isabel

Laurent Vernhes

Globetrotting authority Laurent Vernhes has set his feet in over ninety different countries and lived in six of them. Whether backpacking in Nepal or visiting the most sophisticated destinations and hotels in the world, his goal was (and still is) the same: To be surprised in a positive way.

A Man of Ambitions

@maisonvernhes

“For as long as I can remember, I wanted to escape. My first stop as a young adult was the Parisian bourgeoisie and many finer things in life that come with such package. But soon enough, my obsession became to see the world as I became worried about getting trapped in Parisian self-satisfaction”

As the CEO of Tablet Hotels, an online search for exclusive hotels and booking platform, Laurent Vernhes uses his expertise to help travelers find “beauty and substance” on their own trips. After working as an expat in Asia in the 90s, he left the East to go to New York and have his own share in the Internet revolution as he co-founded Tablet Hotels. Recently, Laurent decided to become a serial entrepreneur by taking his taste and knowledge of champagne more seriously as he established his own small champagne company, Maison Vernhes. The amazing bubbly caused enough buzz among appreciators to be called as one of the best wines out there. As good as it is exclusive, the champagne can only be acquired via Laurent himself or at a single store in Brooklyn, which must have his approval to sell to an individual customer. A labor of love, a result of the entrepreneur’s personal passions, it doesn’t come as a surprise that both Maison Vernhes and Tablet Hotels have an inherent stamp of coolness and excellence. In an exclusive interview, Laurent Vernhes talks investing in soulful projects, the importance of taking risks and why his champagne brand is so, so very exclusive. From a stay at the very posh The Lanesborough Hotel, in London, to quiet holidays in Franschhoek, a visit to a zen-Buddhist temple in Koya-san and sandstorms in the desert during Burning Man, Laurent Vernhes is strongly inspired by the contrast of the places he goes to. Fortunately, he makes a living out of his passion as the co-founder and CEO of Tablet Hotels, an online luxury and boutique hotel search, and booking platform.

Vernhes was born and raised in France, where he grew up as the only child of very loving and modest hardworking parents, in the South of France and, later on, on the outskirts of the French capital. “For as long as I can remember, I wanted to escape. My first stop as a young adult was the Parisian bourgeoisie and many finer things in life that come with such a package. But soon enough, my obsession became to see the world as I became worried about getting trapped in Parisian self-satisfaction”, he confides. His diplomas – and David Bowie’s music and personality, which helped him “believe he could be anyone he wanted to be” – served as a passport for new experiences. In the 1980s, Laurent started working in Asia, developing new markets for global giants such as Michelin and The News Corporation. He lived as an expat in many different cities of the Asian continent for ten years. He has seen the world, indeed; he’s visited over ninety countries and has lived in six of them. “I’ve been shaped by the places I’ve been to, so much to the point where the concept of nationality is no longer meaningful to me personally. With only one exception: picking a team to support in the (soccer) World Cup.  For example, I learned so much about business from dealing with ethnic Chinese people across Southeast Asia and in China. I admire the combination of ruthless effectiveness, elegance, and sophistication – almost no posturing”. After that period of time in Asia, he realized he wanted to have his own business while also becoming part of the global revolution that came about with the Internet, finally, settling down in Brooklyn, New York, where he still lives with his wife and three children.

“When it comes to connecting people, I believe taste transcends everything – nationality, gender, race, religion, money, age”

Since the year 2000, Tablet Hotels works by the idea of helping travelers find beauty and substance in their travel experiences and also with the underlying mission to support small independent creators and hoteliers. Amidst the information and advertising cacophony, Tablet is not only sophisticated but soulful as well. There’s something more personal about it that lacks in other websites alike. The next step for the company is to launch a new tool, one that enables users to connect through shared tastes across cultures and traditional social demographic categories. “When it comes to connecting people, I believe taste transcends everything – nationality, gender, race, religion, money, age…”, Vernhes observes, insightfully. This French man is never tired of discovering new things, new destinations, new ideas – “I’m resetting my dreams”. At this point, he jumped into a new foray: creating a small champagne company called Maison Vernhes. “Since before drinking age, which is loosely defined in France, I have dreamt of champagne being present in my life ‘at will’ because I associated it with happiness.  Much later, when I started thinking that wine would be an interesting way to reconnect with my family heritage, champagne felt like a happy place to start”.

With an excellence and exclusivity stamp, Maison Vernhes’ bubbly generated a lot of buzz among Manhattan’s connoisseurs and foodies. According to Laurent, what separates good from formidable champagne is the quality and smoothness of the euphoria it creates – besides terroir, taking good care of the vines and grapes as they grow, proper climate, winemaking technique, and experience, Bien sûr. “I seek balance and complexity with as little manipulation as possible in the process of making it”, he says of the blend, which presents elements of different grapes, besides pinot noir. The product can only be acquired via Laurent himself or in a single store located in Brooklyn, by his approval. The entrepreneur tells us why. “The production is very limited and demand for it outgrew supply almost instantly.  So, if you’re in that situation, how do you choose whom you sell to? Rather than raising the price, which is the legitimate capitalist approach, it seems more interesting to sell only to people who truly enjoy it”, he explains. “It’s also better for building the brand when your clients are your brand ambassadors”. 

It is a smart and moderate way to handle the economy and marketing challenges that small companies often face. Just like Tablet Hotels, Maison Vernhes is the result of an entrepreneurial approach to a personal passion. “I do not think one should aim for universal appeal because it puts you on a path to the lowest common denominator.  I am looking for a soul and being true to myself. The deeper you dig, the more chances that you will touch others”. Which is the same as saying that the more personal a creation is, the more universal its appeal becomes. And that is a trump card many other independent creators and producers know how to play in their favor. Laurent is the kind of person who is far more interested in the journey than the destination itself. When he travels, usually an impulsive last minute decision, the first thing he does when arriving somewhere is to wander around. No rush, no plans, destination point. If his academic excellence led him to a nomadic life, his nomadic existence led him to acquire knowledge through experience, whether bad or good experience, like his trip to the Marquesas Islands, especially Fatu Hiva and Nuku Hiva, which he points as some of the most magical places on Earth.

Despite being too busy reinventing Tablet Hotels and heading a small champagne company, the entrepreneur makes time to be with his family and plan his next trip – “It is what keeps me inspired and energized”. He wants to continue taking chances and innovative actions, but without ever taking himself too seriously. ”If you do so, you’ll find it harder to get over your failures, which means you’re less likely to take the risks necessary to change your world. It is fundamental to take risks unless you accept to live in a world defined by others”.


Photos: Evol Content Group

Mike Mammoliti

Mike traz o famoso Mamo Le Michelangelo para Nova York e questiona: “Por que tentar fazer algo complexo quando já é difícil fazer um spaghetti pomodoro perfeitamente?”

Simple and Perfect

mamonyc @mamo_nyc

“É impossível recriar o mesmo exato prato quando você está em um lugar diferente. Os vegetais, a água, os laticínios, as frutas – tudo é diferente. Mas você pode chegar bem perto, e isso é o importante para mim. Para tanto, você precisa criar uma atmosfera ao redor do prato, para tentar recriar a sensação da viagem”

Perfeccionismo é um daqueles ingredientes que não se pode errar a dosagem: nem demais, nem de menos. Por sorte e competência, Mike Mammoliti soube trabalhar a medida certa durante anos, e agora repete a receita em Nova York, onde inaugurou uma filial do restaurante de seu pai, Mamo Le Michelangelo, em Antibes. Seu intuito inicial era desenvolver uma réplica perfeita do clássico francês, mas quando percebeu que não seria possível, encontrou não só seu caminho, mas a identidade do novo restaurante: “Decidi não me distrair muito, criar minha própria visão e acreditar em meus instintos”. No Mamo (a versão nova-iorquina perdeu o “Le Michelangelo”), nada além da própria comida parece ser um desafio para Mike: “Eu acredito em pratos simples, que deixem que os ingredientes falarem por si. Por que tentar fazer algo complexo, quando já é difícil fazer um spaghetti pomodoro perfeitamente?” E, embora haja quem diga que não se pode fazer uma verdadeira comida fora do seu país de origem, não há nada que o impeça de abrir uma cozinha italiana em Nova York: “É impossível recriar o mesmo exato prato quando você está em um lugar diferente. Os vegetais, a água, os laticínios, as frutas – tudo é diferente.

“A culinária da Grécia é algo realmente novo para mim, e é fantástica. Muito próxima da cozinha italiana e francesa, mas muito distinta ao mesmo tempo: os mesmos ingredientes, mas manipulados de outra forma. É uma delícia”

Mas você pode chegar bem perto, e isso é o importante para mim. Para tanto, você precisa criar uma atmosfera ao redor do prato, para tentar recriar a sensação da viagem”. E completa: “Nova York é muito competitiva. São mais de 10 mil restaurantes. Você precisa manter o padrão em altos níveis sempre para sobreviver”. Curiosamente, Mike até gosta do caráter de espetáculo que a gastronomia atual vem adquirindo: “É algo incrível para a nossa indústria. Isso traz entusiasmo para a comida. E você vê cada vez mais pessoas querendo aprender a comer, especialmente a nova geração”. Mas tanto na vida como na cozinha, Mike aposta no poder do fogo brando e diz que não se considera uma celebridade: “Meu foco são os meus clientes. Nada me dá mais alegria do que vê-los felizes. Sem isso, você é apenas um restaurante tentando sobreviver”, acredita. Na bagagem, Mike trouxe não apenas as referências do primeiro restaurante, mas da infância: “Era um paraíso. Viver com nada e tudo ao mesmo tempo. O sul da França tem muito a oferecer se você sabe onde procurar. Quanto mais eu viajo, mais eu vejo o quão sortudo sou de ter nascido e sido criado lá”. 

Se recusando a viver apenas no passado, o restaurateur se lança constantemente em novas aventuras gastronômicas. Sua última descoberta foi particularmente animadora: a comida grega. “A culinária da Grécia é algo realmente novo para mim, e é fantástica. Muito próxima da cozinha italiana e francesa, mas muito distinta ao mesmo tempo: os mesmos ingredientes, mas manipulados de outra forma. É uma delícia!” Seria a empolgação com novos sabores sinônimo de mais empreendimentos? “Existem alguns projetos em discussão, mas, por enquanto, nosso foco é o Mamo”, responde sem deixar sequer um gostinho do que está por vir.

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Fotos: Colin Hughes

Irene & Lydia Rocco Forte

Rocco Forte sisters begin to print their skills and visions in the family business, bringing new airs to the family’s chain of hotels.

Like father, like daughters

roccofortehotels @ireneforte lavitaforte

“Our philosophy is to create something that looks authentic and has the essence of the city or place it is in. So in each location, we use local artists and design influences and an individuality that harks back to their location”

In the Rocco Forte family, there is always room for one – or two more. And that holds true for both the backstages and the properties that are under the spotlight. The hotel chain team has long been honored by the sisters Irene and Lydia Rocco Forte, who have taken over key areas of the family business after practically lapping the talent for the hospitality they carry in their vein. While Lydia is in charge of the group’s Food & Beverage department, Irene takes care of the projects and spas – all set according to the aptitude and competence of each, without any family pressure, including the father, who always left them free to make their own decisions.

Although they have different interests and responsibilities, the sisters are looking forward to the launch of the two new Rocco Forte hotels, which open next year – one in Rome and one in Shanghai. With these new properties, the clan’s portfolio reaches 12 hotel units, a number that should grow with the family.

How was your experience growing up living in different hotels?
IF & LF: We never lived in hotels, however, we always spent holidays in different hotels. Whether it was one of our hotels or someone else’s, we were always analyzing every little detail. Hotels were also always part of family meal conversations. Every school holiday was spent working in different hotel departments too. Therefore, they’ve been a huge part of my upbringing and there was certainly no escape!

And how was growing up in London? Would you ever live somewhere else? Do you think to live in the city defined your lifestyle somehow? 
IF: I went to boarding school from the age of 11-18 and then went to university in Oxford until the age of 23, so it wasn’t until I graduated that I got to truly experience living in London. I absolutely love London. There is always so much going on, whether a gallery opening, new exhibition, new fitness class to try, a new restaurant, etc…Given that I travel weekly for work, I would definitely be open to living somewhere else in Europe. However, I do love coming back to London after work trips.

How do you define your lifestyle? 
IF: I absolutely love to travel. I try and do one big trip a year in a new destination. Last year, I explored the south of India; I went to an Ashram and then traveled across the state of Tamil Nadu. The year before I went camping in the Himalayas in search of snow leopards. Whenever I get the chance, I also love to explore new cities. Given that I also travel weekly for work, when I’m home, I like to keep a low profile. I’m a bit of a fitness fanatic, I have my go-to facialist and then I tend to eat well and work long hours in the office. Of course, I love seeing exhibitions, trying new restaurants and anything that’s new and exciting in London.

“I’ve always admired my father. He has always been a living example to me that success is not just a matter of course but something that you have to work hard for. He’s certainly inspired me to really work hard and love what I do”

What is your favorite hotspot in London? And in NY?
LF: Soho has fun and often extremely good restaurants with niche and unique concepts that are always worth trying. Kitty Fisher’s in Shepherd’s Market is one of my favorites because the food is wonderful and the setting is cozy. Ruth Rodgers of The River Cafe has a remarkable culinary vision, offering authentic and high-quality Italian food, in a clean, beautiful space, which somehow has remained contemporary since the 1980s.
IF: Dinings in Marleybone because it has the most amazing Japanese food in London. Gymkhana for its classic Indian dishes, located in Mayfair right next to Brown’s. I love Mazi for Greek food in Notting Hill as well as Chucs in Notting Hill for brunch on the weekend.

What are the difficulties of working with hospitality?
LF: This business is all about people – you have to understand your customers but also be able to get the best out of the teams that you work with. Our teams of people are the front line of communication to the guest and unless they believe in something it will never be executed correctly or communicated properly to our guests. We are lucky to work in an industry that is multifaceted and exciting. This does also mean, however, that we also need to be up to date with trends. We are constantly updating and renewing our restaurants, ensuring that we have the best offerings.
IF: The hotel industry is booming, with new high-quality hotels constantly opening. This means that today’s high-end traveler is spoilt for choice and thus looking for things that really make a hotel stand out and that suit their personal preferences. With this in mind, luxury hotels need to be able to cater for all guest needs and to do so well, whether a family, a health-conscious guest, a culture vulture, etc.

What are the biggest lessons you’ve learned from your parents and grandparents?
LF: From both my grandmothers, my grandfather, and my mother – eat good food! Life’s too short to eat badly and even shorter if you don’t eat well.
IF: My mother has always taught us to be generous and empathetic.

What are you most passionate about? 
LF: I have always been passionate about cooking and nice restaurants. After all, we have an Italian background and grew up with good food. It is a focus, even in my free time.
IF: Being determined and focused has been easy. I love and am passionate about what I do (perhaps because it is in my DNA). I believe that my passion for ‘wellness’ stemmed from my father. He’s a keen sportsman and always dedicated a lot of time to sport, whether training for a triathlon, iron man or simply perfecting his golfing swing. This has stuck with me throughout my life and as a result, I love constantly trying, testing, reading anything regarding wellness. I’ve also been incredibly fortunate as I have eight spas to play with, learn from and test things at Rocco Forte Hotels.

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Who is your biggest inspiration? 
LF: Our father. The best advice he gave me was to learn the business from the ground upwards and know the details since hospitality is all in the details. Then, from his example, work hard and focus on what you are doing. He always reminds me to constantly continue to push for things that you want to change – otherwise, they simply don’t happen. Suggesting a direction to our teams or setting up a new project is completely useless without the follow-through.
IF: I’ve always admired my father. He has always been a living example to me that success is not just a matter of course but something that you have to work hard for. He’s certainly inspired me to really work hard and love what I do.

Did you always want to work in the family business? 
LF: We grew up with the business, dinnertime conversation, etc. but my father was very clever never to pressure us into going into the business. When I finished university I knew I wanted to work in restaurants, so I became a waitress because I was passionate about the business. But probably, somewhere in the back of my mind, I knew that if I wanted to go into the family business it would be a good path as no one was focusing on F&B at the time.
IF: Hotels have always been the topic of conversation at family gatherings, but our father never pressured us. He told us to study something unrelated to hospitality and this is why we both went to Oxford University. When I graduated, I wasn’t sure what I wanted to do and thus my father told me to do a 6-month development program at Brown’s Hotel where I went through all the departments. Thereafter, I still wasn’t sure what I wanted to do, so my father cleverly asked me to come and work in the central office part-time on a ‘project’. I haven’t left since (and it’s 6 years later!).

If you had to say a big asset of each property, which one would be?
IF & LF: Our philosophy is to maintain the sense of individuality that each of our hotels’ locations has. Our aunt, Olga Polizzi’s philosophy is to create something that looks authentic and has the essence of the city or place it is in. So in each location, we use local artists and design influences and an individuality that harks back to their location. Each hotel, restaurant, and spa reflects its location but is supported by a uniform group-wide concept and service philosophy. So for example, whilst each of our spas has unique qualities, the Rocco Forte Spas brand-wide concept and service standards run through all of them.

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What is each one of you exactly responsible for in the Rocco Forte Hotels? 
LF: I am the Group Director of Food and Beverage for Rocco Forte Hotels. At the moment, we have two new openings in 2019 – Shanghai & Rome, so I’ve been preoccupied with the development of new concepts, which is fun. Sometimes I develop them in-house with the help of my aunt, Olga Polizzi who does all of our interior design and our Director of Food, Fulvio Pierangelini – who is an incredible chef – one of Italy’s greats. Other times I find the right partners to bring in – such as recently opening Brasserie Prince at The Balmoral with legendary chefs and restaurateurs, Alain Roux and his father Michel Roux, O.B.E.
IF: I am the Group Project & Spa Director for Rocco Forte Hotels. As part of my role, I oversee elements of learning and development for the hotels, so training and developing our teams to ensure that we deliver the best quality service to our guests. I also oversee the group’s wellness offering. Wellness is so important- so many people are overstressed and over-connected and thus looking for wellness in their lives. As a business, we want to give individuals wellness tips and tools and also allow individuals to continue their healthy routines.

What dish do you like the most in each hotel? 
LF: My favorite dish is Pappa al Pomodoro by Fulvio Pierangelini – a typical Tuscan, peasant’s dish (stale bread & tomato) made into something more delicate and refined by using it as a filling for Fulvio’s paper-thin ravioli. We serve it in Irene Firenze in the Hotel Savoy in Florence and it really encapsulates our concept there – traditional Tuscan fare but done in a lighter, more feminine way.
IF: I am quite health conscious and nowadays I feel like there are many more people like me who want to be healthy when on holiday or a work trip which was the inspiration behind the creation of Rocco Forte Nourish where we have brought delicious, healthy options to our restaurants and bars. At breakfast in each of our hotels, guests will find the Nourish Corner, with specially selected healthy options, including sugar-free almond and soya milk, quinoa, hummus, crudités, and gluten-free goodies. Our Nourish menus in our outlets have been specially curated by nutritionists or healthy food gurus with our chefs. Our dishes are delicious, despite being gluten, meat, sugar, and dairy-free. It’s not a diet – it’s about eating nourishing food that’s extremely tasty. We also offer a healthy in-room bar option for guests so that they can guilt-free snacks in the room.

What is your favorite Rocco Forte hotel?  
LF & IF: While we can’t name one hotel that is our favorite (we love them all!) Our resort in Sicily, Verdura, is a very special place. It’s wonderful because there is so much to experience there. Either you can completely relax and enjoy the beach and spa, or you can go on hikes in the mountains and play golf and tennis.

Because of your age, do you have any plans to change something at Rocco Forte Hotels or modernize it somehow?
LF: My sister and I are both so young, so hopefully we bring a youthful perspective to the business. We’re more in line with new trends, have time to research what’s going on around us, and our social media savvy. Food and beverage is an area that really allows me to bring in new ideas and a younger perspective. I’ve also pushed to market our F&B outlets separately to the hotels. Traditionally, hoteliers have seen the F&B component as a guest service rather than an offering for locals. Also, because we are young and happy to try new things, travel and eat in unusual places, this gives me new ideas that my father might not necessarily have come across.
IF: In my role, I have worked on a range of different initiatives that have been implemented across the group. As part of my learning and development hat, I launched the map of my Future. This is a learning, development and communications app for employees in hospitality, which was launched at Rocco Forte Hotels in August 2016. I am particularly passionate about it as it will help our industry immensely with retaining people and developing careers, and it is particularly relevant for the millennial generation. Also created with millennials in mind, I launched our wellness concept. Which I’m now developing even further. We want guests to find wellness at every touchpoint in our hotels, whether in the spas, in the restaurants or even in the room. We want guests to be able to continue existing healthy routines and to take home great new habits. We want them to leave us looking, feeling and being better. New trends are constantly developing – we can’t just sit still and you can only stay on top of it by being interested in fitness and healthy living.

What are the next steps for each one of you and for the business?
IF: Other than new openings and developing our wellness concept further, after three years in development, I will be launching my own skincare line this autumn, Irene Forte Skincare – the first luxury and sustainable skincare brand formulated in Italy, which I will be revealing more on very soon!
LF: With two exciting hotel openings next year in Rome and Shanghai, I am focusing on developing unique food and beverage concepts tailored to each city. Hotel De La Ville will be the opening of 2019 in Rome and will feature a rooftop bar with 360-degree views of Rome. The Westbound Hotel in Shanghai will have three restaurants, a tea lounge and a cocktail bar that will have a variety of cuisines.


Photos: Courtesy Irene and Lydia Rocco